Flamengo: multicampeão nos gramados e camisa 10 da cibersegurança

Quando falamos de Flamengo, falamos de paixão, de títulos, de história. São mais de 130 anos carregando troféus, arrebatando corações e reunindo uma das maiores torcidas do planeta. Um gigante dentro dos mais diferentes campos, gramados, quadras e arenas. E, agora, também fora deles.
Essa não é uma história de gols ou de taças. Hoje, a história que vamos contar acontece longe dos holofotes do campo, mas tem sido cada vez mais importante para o clube: o fortalecimento do fator humano na segurança cibernética.
O despertar para um novo jogo
A era digital trouxe muitos benefícios para o Flamengo. Mais proximidade com o torcedor, mais inovação, mais alcance. Mas, é claro, também trouxe riscos. E como qualquer time que almeja estar no topo, o Flamengo sabia que, muito além de firewalls e sistemas, era preciso cuidar de um dos elos mais importantes da cadeia de segurança: o fator humano.
Foi nesse momento que o clube assumiu um novo desafio: dar foco também para a área de Privacidade. O recado estava claro: era hora de jogar sério com a conscientização e com a proteção de dados.
Gamificação: uma jogada de mestre
Treinamentos tradicionais não funcionavam. Vídeos longos, webinários burocráticos, provas decoradas... nada disso fazia sentido num ambiente dinâmico como o do clube. E a equipe de Privacidade de Dados sabia que precisava de algo diferente, algo mais dinâmico... algo que realmente despertasse o espírito de conquista que corre nas veias do Flamengo!
“A equipe sabia que não dava pra trabalhar com aquele treinamento padrão. Não dava pra ficar só no compliance. Precisávamos de um método que despertasse interesse real sobre o assunto. Algo que conectasse com a rotina das pessoas.”
Foi então que o gigante rubro-negro resolveu calçar as chuteiras do colaborador e pensar: como seria aprender sobre segurança de um jeito leve, interessante e que realmente funcionasse?
Unindo princípios de andragogia e psicologia cibernética, o clube encontrou na gamificação o caminho certo para conquistar o engajamento das equipes. Um programa com jogos, rankings, medalhas e uma experiência competitiva faria total sentido dentro da cultura organizacional do Flamengo.
“A gente, que trabalha com futebol, com esportes no geral, tem competição correndo nas veias. Então a gamificação foi um acerto estrondoso pra chamar a atenção do pessoal para o tema da cibersegurança.”
Desde 2022, o Flamengo já coleciona nove temporadas com o Hacker Rangers. Mesmo sendo um programa opcional, a adesão e o engajamento têm mostrado que o compromisso com a segurança cibernética faz parte do DNA do clube.
Os resultados, que poderiam ser mais uma estrela na camisa do time rubro-negro, falam por si:
Última temporada:
40% de acesso
49% dos usuários completaram pelo menos uma tarefa
Quase 5 mil tarefas concluídas
Muito além do Hacker Rangers
O programa de conscientização do Flamengo, o FLA+ Seguro, foi muito além de adotar uma plataforma gamificada. O clube criou um ecossistema completo de segurança e privacidade, oferecendo uma variedade de iniciativas para engajar os quase 600 colaboradores — sempre com uma abordagem positiva, descontraída e envolvente!
Hoje, o rubro-negro acumula projetos como o “Paredão do Mengão”, uma revista em formato de gibi que transforma temas técnicos em conteúdo leve e divertido, e estratégias de engajamento quinzenais, com direito a repescagem, competição entretemporadas e um canal de comunicação inteiramente dedicado à privacidade.
“O que queremos é ensinar de um jeito que as pessoas consigam entender facilmente. E daí, sem perceber, logo elas abrirão as portas de suas casas para que falemos com suas famílias e amigos sobre temas importantes. De forma bem leve, o FLA+ Seguro sairá dos limites físicos do Flamengo.”
Mudança de comportamento
E é claro que todos os esforços do Flamengo trouxeram resultados reais para o clube, daqueles que podem ser notados nas pequenas ações cotidianas.
O programa de segurança se tornou parte do dia a dia dos colaboradores, e, hoje, a equipe não apenas está mais atenta à proteção das informações, mas também demonstra muita empolgação com o tema.
“É muito legal ver como as pessoas se empolgam quando falam sobre segurança. Sempre tem alguém contando que ativou um recurso novo ou ajudou a família a se proteger. A gente vê na prática como uma metodologia de ensino positiva e uma linguagem simples ajudam a trazer esse pessoal pro nosso lado .”
Um dos momentos mais emblemáticos do Fla+Seguro aconteceu por um comunicado via ciberatitude. Um dos colaboradores reportou que carteirinhas de sócio-torcedores poderiam estar sendo compartilhadas porque o leitor do código de barras nas catracas lia fotos dos códigos no celular. Ou seja, qualquer um com uma fotografia da carteirinha no celular poderia entrar no clube.
Após o comunicado, o Flamengo prontamente substituiu as catracas com leitores de códigos de barras por catracas com biometria facial. Esse é o poder da conscientização trazendo mudanças de segurança de verdade!
“As ciberatitudes são valiosas. Muitas informações que chegam por lá, os gestores nem tinham em mente, porque não estão no dia a dia da operação. A gente trata esses dados com atenção, conversa com os times de segurança e tecnologia… Muitas vezes, elas acabam virando novos projetos de segurança.”
4,662 ciberatitudes
média de 8.3 ciberatitudes por usuário
Com a metodologia certa, todo mundo pode ser um patrulheiro da segurança.
Apoio da liderança e reconhecimento
No Flamengo, a gamificação é para todos, literalmente, incluindo C-levels! Ninguém fica de fora e todo mundo entra em campo para ser campeão.
“Teve gestor que criou até um grupo no WhatsApp com o pessoal do setor só pra trocar ideia sobre o jogo. No fim, o setor inteiro ficou entre os primeiros colocados do ranking.”
Até quem no começo dizia não gostar de gamificação, com o tempo, se envolve. O clube identifica esses perfis, personaliza as estratégias e encontra maneiras de trazê-los para o jogo, inclusive com um programa de indicação entre colegas.
“A gamificação ajuda a sair do digital e ganhar vida no mundo real. As pessoas se conectam com a experiência. Aqui, a gente faz cerimônias de reconhecimento constantemente e os gestores de outras áreas também reconhecem o esforço dos colaboradores no tópico de segurança. No final de cada temporada, tem celebração com direito a pompons, cartazes, torcida… É literalmente uma festa!”
Em busca do próximo título
O Flamengo já conquistou o selo Black Certified no Hacker Rangers, um reconhecimento de maturidade e consistência na jornada de conscientização.
Mas, é claro, ainda há muito a ser conquistado. Quando falamos de segurança, continuidade é fundamental — e, nesse aspecto, como em muitos outros, o rubro-negro dá um show!
“Não há ferramenta que substitua o comportamento humano. A postura de cibersegurança é muito importante. Do perímetro ao ambiente digital, são as pessoas que controlam as tecnologias e que tratam as operações. Um olhar bem-treinado pode fazer toda a diferença.”